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Questões de Interpretação de Texto no ENEM

745 questões encontradas · página 9 de 75

33ª poética

estou farta da materialidade embrulhada do signo da metalinguagem narcísica dos poetas do texto de espelho em punho revirando os óculos modernos

estou farta dessa falta enxuta dessa ausência de objetos rotundos e contundentes do conluio entre cifras e cifrantes da feminil hora quieta da palavra da lista (política raquítica sifilítica) de supersignos cabais: “duro ofício”, “espaço em branco”, “vocábulo delirante”, “traço infinito” quero antes a página atravancada de abajures o zoológico inteiro caindo pelas tabelas a sedução os maxilares o plágio atroz ratas devorando ninhadas úmidas multidões mostrando as dentinas multidões desejantes diluvianas bandos ilícitos fartos excessivos pesados e bastardos a pecar e por cima os cortinados do pudor vedando tudo com goma de mascar
CESAR, A. C. Poética. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.


Recorrendo à intertextualidade e à metalinguagem, esse poema expande os referentes da poética de Manuel Bandeira ao

Uma carta para Freud

       Caro Freud,
     Resolvi lhe escrever uma carta porque o senhor anda muito ocupado e eu demoro demais para me fazer compreender verbalmente. Aqui, nesta carta, acho que consigo ser franco e direto.
    Hoje resolvi aplicar alguns de seus conselhos. E outros do Facebook. O senhor mencionou que eu precisava encontrar prazer no meu trabalho. Pois bem, resolvi espalhar chocolate em todas as mesas, pias, balcões e até no banheiro.
    Romanticamente, a história é mais complicada. Sempre que nos encontramos, o senhor pergunta: “E as namoradas, como vão?”. Realmente, doutor Freud, nunca entendi o porquê do plural. Mas já que tocamos no assunto, acho que precisarei de um pouco mais do que chocolate para resolver este problema.
      O senhor disse que o segredo do sucesso é fazer as mulheres rirem. Mas rir de mim também conta?
    O senhor também mencionou que eu não poderia deixar as garotas me encararem como amigo, não foi? “Mulheres nunca se apaixonam por amigos”. Tentei aplicar este conselho.
      Ah, meu amigo Sigmund. A vida não é nada fácil. Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender. Podíamos sair para tomar uma cerveja. Ver luzes, ouvir pessoas, essas coisas. Acho que lhe faria bem, também.

MARTINZ, J. Disponível em: https://corrosiva.com.br. Acesso em: 24 out. 2021.


O trecho que faz referência ao vocativo inicial da carta “Caro Freud” é

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     Aplicativos de rastreamento ajudam os pais a manter o controle — mas até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias? Uma mãe estava ansiosa por saber se o seu filho havia retornado com segurança ao apartamento dele no Texas, nos Estados Unidos, depois de uma recente visita à família. Mas, em vez de esperar que ele ligasse ou enviasse uma mensagem de texto, a mãe — que mora em Baltimore, também nos EUA — estava cuidando das suas tarefas diárias enquanto aguardava um som tranquilizador — um plim — no seu telefone. Isso porque, como 32 milhões de outras pessoas em todo o mundo, Spector e toda a sua família têm o aplicativo instalado nos seus telefones.
      O aplicativo controla permanentemente o paradeiro dos seus três filhos, informando a ela quando eles estão em trânsito, quando estão em segurança em casa, se estão em algum lugar onde não deveriam estar e enviando uma série de outras informações. “Se eles chegam à escola, o celular faz plim. Se eles chegam em casa, plim”, conta Spector, que é advogada de patentes. “É apenas uma forma de a família saber onde todos estão.”.

Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 24 nov. 2021 (adaptado).

Nesse texto, o aplicativo que permite o rastreamento dos usuários reflete condições sociais e configurações de família definidas pela

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Recado

Se me der um beijo eu gosto Se me der um tapa eu brigo Se me der um grito não calo Se mandar calar, mais eu falo

Mas se me der a mão claro aperto Se for franco direto e aberto Tô contigo amigo e não abro Vamos ver o diabo de perto

Mas preste bem atenção seu moço Não engulo a fruta e o caroço Minha vida é tutano é osso Liberdade virou prisão

Se é amor, deu e recebeu Se é suor, só o meu e o seu Verbo eu, pra mim já morreu Quem mandava em mim nem nasceu

É viver e aprender Vá viver e entender, malandro Vá compreender, Vá tratar de viver

GONZAGUINHA. Recado. Rio de Janeiro: EMI, 1978 (fragmento).

  Nessa letra de canção, há um tom de ameaça que é evidenciado na recorrência de

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Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

Sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena

GULLAR, F. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1975.


Em diálogo com importante fato da história política brasileira, o poema de Ferreira Gullar instaura tensivamente um olhar

        Num mundo ideal, o cronista funcionaria como o paciente de Lacan. Ficaria por aí, tocando sua vida, indo ao banco, almoçando no quilo, olhando vitrines atrás de um presente de Dia das Mães, até que surgisse uma ideia. Imediatamente, ele encontraria uma praça, se acomodaria num banco — se possível fosse, até alugaria um quartinho de hotel —, tiraria o laptop da mochila e escreveria seu texto, com todos os ingredientes colhidos na hora.
     Um romancista não precisa levar o laptop na mochila. Suas ideias podem amadurecer antes de ir pro papel. Ele está contando uma longa história, é bom que tenha algumas pistas de para onde está indo. Já o cronista, quanto mais cego ao iniciar seu passeio, maiores as chances de conhecer lugares novos no caminho.

PRATA, A. Trinta e poucos. São Paulo: Cia. das Letras, 2016.

Nesse texto, a reflexão acerca dos processos de elaboração que resultam em crônica ou em romance baseia-se na 

     Foi instaurada a Comissão Temporária de Inteligência Artificial (CTIA) no Senado Federal. O objetivo: discutir diferentes projetos de lei sobre o uso da tecnologia.
     A Inteligência Artificial (IA) vem se mostrando uma ferramenta para otimização de demandas no setor público e, ao mesmo tempo, uma preocupação para o processo democrático. Por um lado, ela já é usada em tribunais para a aceleração de procedimentos burocráticos e decisões sobre aposentadoria. Por outro lado, a tecnologia também vem sendo utilizada para a desinformação, como na criação de imagens de fatos que não aconteceram na realidade.
       A comissão, que já discutiu os impactos da IA na agricultura, no meio acadêmico e na indústria, debateu os efeitos da tecnologia no jornalismo e no processo eleitoral.
     Uma advogada e professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) falou sobre os desafios da implementação segura da tecnologia: “Não existe nenhum mecanismo hoje, nenhum software, que vá identificar se um conteúdo é produzido por Inteligência Artificial”.


Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 2 fev. 2024 (adaptado).


Ao abordar a questão da segurança na implementação da IA em diferentes esferas da sociedade, esse texto evidencia a

Irmãos em livros

     Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e “comprava muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu que “gostava de todas”, mas, de há alguns anos, só comprava livros pela internet. Ah, sim? Comentei que também gostava de todos os táxis, mas, a partir dali, passaria a andar só de transporte por aplicativo. Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação. Virou-se para mim e disse: “Entendi. O senhor tem razão.”.

CASTRO, R. Folha de S. Paulo, 7 dez. 2018.

Nessa crônica, a ironia é utilizada com o objetivo de

       Há quem ache difícil a leitura das bulas de remédios por causa das letras reduzidas e dos termos técnicos que deixam a compreensão das informações mais complicada. Mas as indústrias já oferecem alternativas para ajudar na leitura e no entendimento da bula.
     Consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso e causar ainda mais problemas para o paciente, segundo um médico endocrinologista. “Ele pode ler alguns termos técnicos e fazer má interpretação da bula, levando a prejuízos no tratamento. Qualquer dúvida, é mais interessante tirá-la com o médico que prescreveu o medicamento.”, explica.
      Para facilitar o entendimento das informações que constam das bulas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentou algumas características com relação ao formato e à linguagem usada. “A bula obrigatória vem com perguntas e respostas, em termos simples e compreensíveis, e ficou de mais fácil leitura. A indústria é obrigada a oferecer bula em áudio, ou pode vir em tamanho maior ou em braile. O paciente, entrando em contato com a indústria, tem até dez dias para receber esse material.”, afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).

Considerando a função social do gênero reportagem, a estratégia empregada nesse texto para dar credibilidade às informações apresentadas é a

panela
[Do lat. *pannella, dim. do lat. vulg. panna, ‘frigideira’.] Substantivo feminino.
1. Vasilha de barro ou de metal destinada à cocção de alimentos.
2. O conteúdo desse recipiente: Comeu uma panela de feijão.
3. Fig. V. panelinha (1 a 4).
4. Gír. Nádegas, traseiro.
5. Bras. Cavidade subterrânea onde as formigas depositam suas larvas.


PANELA. In: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.0.

Os verbetes constituem um conjunto de acepções, isto é, pequenas notas e apontamentos que compõem as entradas de um dicionário. Com base na leitura do verbete “panela”, vê-se que a função da linguagem predominante é a metalinguística, pois nele se

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